fevereiro 08, 2008
Imagem surpreendentemente difícil. Decidi escrever uma história infantil, algo que eu contaria à minha filha. Claro, não seguiu o caminho imaginado.
O texto ficou imenso. Aliás, este é um problema antigo, não consigo sintetizar, resumir. Tendo sempre a me extender, extrapolar, efim...
O Balanço - A Visita de Zil Zil apareceu enquanto Laura se balançava. O menino, de seus 8 anos, pernas longas e olhar curioso e assustado, surgiu do meio dos arbustos atrás do balanço onde a Laura brincava.
- O que é isso, perguntou ele apontando para o brinquedo, agora imóvel, onde Laura estava sentada.
- Isso? Você nunca viu um balanço?
- Ba... Balanço? , levantou as sobrancelhas
Ela caiu na gargalhada e o garoto a observou, sentindo algo curioso, uma vontade de arreganhar os dentes também, como a menina fazia.
A curiosidade dele, parecia não ter fim. Perguntava e espantava-se com tudo, causando as gargalhadas gostosas da garotinha de 5 anos, anéis dourados na cabeça e olhos muito grandes e castanhos. Ela o ensinou a ir alto, quase voando, no balanço. Explicou o que era um
skate, lhe contou sobre os
Backyardigans e todos os desenhos legais que passavam na TV.
Na hora do lanche da tarde os novos amigos foram até a casa de Laura, aonde a mãe da menina serviu bolinhos de chuva, torradas com geléia e um suco geladinho.
- Você também não conhece geléia de morango? , os olhos de Laura arregalaram-se ainda mais
- O que são morangos? , perguntou com a boca lambuzada de geléia e bolinhos.
Laura pediu à mãe para trazer-lhes alguns morangos, pois seu amiguinho nunca havia experimentado e Zil deliciou-se com a frutinha vermelha. Ele as cheirava, aproximava bem perto dos olhos e depois as abocanhava. Não entendia como algo tão pequenino pudesse ser tão saboroso!
Voltaram ao parque e apostaram uma corrida até os balanços. Chegando lá, apostaram quem ia mais e mais alto. E conversaram, e riram, até que o céu começou a escurecer.
- Preciso voltar, Laura.
- Pra sua casa?
- Sim
- Onde é que ela fica? É muito longe?
- Sim
- Na outra rua?
Ele sorriu com olhos tristonhos _ Moro a muitas ruas daqui, Laura. Vou para além de ruas e cidades e coisas que você não iria nem acreditar.
- Eu vou acreditar, eu juro! , e bateu os pezinhos firmemente no chão, com a típica convicção das crianças de cinco anos de idade.
- Eu gosto de balanços, de morangos e de Lauras , disse passando a mão carinhosamente pelos cabelos da menina _ Vou voltar, um dia, eu prometo. Você me espera?
- Eu espero! , disse com os pequeninos lábios tremendo num esforço para não chorar e viu seu amigo afastar-se, primeiro de costas e depois virando e se confundindo com o monte de arbustos até desaparecer entre eles.
Laura ainda tentou ir atrás dele, mas ao remexer os arbustos só encontrou um velho muro de tijolos vermelhos.
Durante dias, Laura acordou bem cedinho para ir ao parque e esperou horas, em vão, pelo amigo. Os dias rapidamente se transformaram em semanas e meses. Meses viraram anos.
Numa tarde de outono uma Laura de longos cachos dourados sentava no balanço com ar pensativo. Um barulho atrás de si chamou-lhe a atenção. Virou-se lentamente ao ouvir a voz grave.
- Laura?
A imagem é uma foto original do Edu, clique para ver maiorMarcadores: Imagem em palavras
| Jade Grimm at 5:59 PM |
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fevereiro 06, 2008
A Chave Já não lembrava mais há quanto tempo estava ali, naquele mesmo lugar, aquelas mesmas quatro paredes, aquela mesma porta que nunca se abria. Não mais lembrava de como era ver o sol, já que só sabia ser dia pelos poucos raios de luz que entravam pelo pequeno retângulo, no alto da parede quase chegando ao teto, que servia como janela. Janela não, era mais um respiradouro, pensou, ela nunca conseguira subir o suficiente para espiar o mundo lá fora.
Não lembrava como era o seu rosto. Os cabelos vermelhos chegavam, desgrenhados, quase no seu joelho, enroscava-se em seus braços e pernas como abraços invisíveis e indesejados. Abraços... Não lembrava deles também. Nem de gente. Nem de ninguém. Há quantos anos estaria ali?
Ouviu o familiar barulho de metal vindo da porta e virou-se esperando ver sua refeição passar espremida pela moldura de ferro, mas pela primeira vez em muito tempo, surpreendeu-se. No lugar da velha bandeja com o prato de comida e a caneca de suco, estava uma chave. Uma chave longa, antiga.
Sentiu um arrepio. Gritou perguntando o que deveria fazer com ela, deveria abrir aquela horrível porta de ferro que lhe prendera por tantos anos? Ela não via o mundo lá fora há tanto tempo, não conhecia ninguém lá, sua antiga vida não lhe pertencia mais. Teria mesmo coragem de sair? Queria sair?
Balançou a cabeça com força, como se assim pudesse jogar longe os pensamentos que tentavam deixá-la trancafiada ali, como fizera seu captor. Apertou a chave com força em sua mão, até que as juntas dos dedos ficassem esbranquiçadas com o esforço súbito e aproximou-se da fechadura. Lentamente deixou que a chave escorregasse para dentro da porta e, segurando a respiração, girou-a. Ouviu um
clique e empurrou a porta que se abriu rangendo contrariada. Ergueu a cabeça e o sol e o dia inundaram seus olhos pouco acostumados. E assim, cega, saiu.
Imagem em palavras é o meu marcador para o jogo, ainda sem nome, que eu e o digníssimo sehor
Ed estamos jogando. Cada um escolhe uma imagem para o outro que deverá escrever um texto a partir dela. Não vale recusar a imagem e o prazo é de um dia. O meu texto é bem meia boca, mas o
dele é uma delícia e pode ser lido no
Sanctuarium. Beijo Ed!
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| Jade Grimm at 12:34 PM |
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